Notas vermelhas e castigo

O pai entra no quarto do filho e vê um bilhete em cima da cama. Ele vai ate lá, já temendo o pior, e começa ler o seguinte:

"Caro Papai,
É com grande pesar que lhe informo que eu estou fugindo com meu novo namorado, Juan. Estou apaixonado por ele. Ele é muito gato, com todos aqueles piercings, tatuagens e aquele super carro BMW possante que a polícia nunca conseguiu alcançar. Mas não e só por isso, descobri que não gosto de jeito nenhum de mulher e como sei que o senhor não vai entender e não consentir com o que estou fazendo, vamos fugir e ser muito felizes no seu trailler, viajando pelo mundo, fazendo artesanato e vivendo uma vida alternativa. O que ele quer mesmo é adotar filhos comigo, e isso foi tudo que eu sempre quis para mim.
Aprendi com ele que maconha e ótima, é uma coisa natural que não faz mal para ninguém, e ele garante que no nosso pequeno lar não vai faltar marijuana. Ele até me disse que conhece "outras" coisas que dão um barato ainda mais alucinante. Juan acha que eu, nossos filhos adotivos, seus parentes argentinos e seus colegas "gays" vamos viver em perfeita harmonia.
Não se preocupe papai, eu já sou um rapazinho, tenho 15 anos e sei muito bem me cuidar. Um dia eu volto, para que o senhor e a mamãe conheçam os nossos amigos, os parentes dele e nossos filhinhos.
Um grande abraço e até algum dia.
De Joãozinho, seu filhinho com amor."

O pai quase desmaiando continua lendo.

PS: "Paizinho, não se assuste. É tudo mentira. Estou indo comer a Marina, aquela loirinha filha da Isabela, nossa vizinha do 301. Só queria mostrar pro senhor que existem coisas piores que as notas vermelhas do meu boletim que está na primeira gaveta."

No dia seguinte o filho encontra uma carta de seu pai com os seguintes dizeres:

"Querido Joãozinho. Tive uma discussão com sua mãe hoje de manhã. Perdi a cabeça e acabei espancando-a até ela perder a consciência. Ela está no hospital na UTI agora e eu fui parar na prisão mas já saí pois paguei a fiança e agora estou indo ao cartório para pedir o desquite. Sua mãe irá embora morar com a mãe dela assim que sair do hospital numa cadeira de rodas (ela está tetraplégica) e eu estarei indo morar com minha irmã, mas deixarei todo mês R$ 300,00 para você e seu irmão, que deve ser o necessário para vocês se sustentarem.
Até logo.
De seu pai, com amor."

Joãozinho, já com lágrimas nos olhos, continua lendo.

"PS: Calma, filho! Não entre em pânico! É tudo mentira. Eu e sua mãe não brigamos e muito menos a espanquei e não iremos embora coisa nenhuma. Nós estamos muito bem, estamos no supermercado fazendo compras. Eu só inventei essa mentira para você ver que existem coisas muito piores do que ficar um mês sem videogame e sem ir às baladas com seus amigos."